A ponta do iceberg

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Ela era como um iceberg, mostrava ao mundo uma ponta do que realmente sentia, do que realmente pensava e achava com seus botões que se achavam maduros, quando na verdade ainda eram meras crianças assustadas.. Escondia do mundo o tamanho de si, parecia pequena mas era grande nos sonhos, nas vontades, nas dores e até no medo.  Pisava leve pelos caminhos tortuosos que a vida sempre se encarrega de trilhar, mas mal sabiam o peso que suportava dentro dela. O mundo na verdade sempre lhe pareceu como uma roda gigante, iluminado, grande, assustador e quando se está lá dentro girando só restam duas opções: fechar os olhos por medo e perder a paisagem, ou desfrutar do frio da barriga entre tantos altos e baixos e ter uma das melhores sensações da vida. Vivia num parque de diversões, amava mesmo a roda gigante, jamais cansava de girar. Seus sonhos eram sempre altos, amigos das nuvens, e a vontade que ela carregava no peito sempre fora maior do que ela mesma, em tudo transbordava. Turbilhão que era essa menina, cabeça cheia de ideias malucas, que pareciam nunca dar certo, sempre em curto prazo. Hoje serenidade, amanhã irritação. Hoje brisa, amanhã trovão. Era assim que se fazia todo dia, deixava que o vento lhe trouxesse quem seria, não gostava de rotina, de mesmice, de ser igual. Como todos os outros seres humanos ela era estranha, cheia de defeitos insuportáveis, de mania incompreensíveis e de opiniões metamórficas, ela era mesmo metamorfose. Viveu fases e fases. Nunca viveu tão incerta como hoje. Não sabe absolutamente nada do amanhã, não sabe nada do que virá nos próximos segundos e querem saber? Ela ama isso. Ama as surpresas do destino, ama pisar sem saber onde vai dar, ama viver sem esperar, sem planejar. Afinal, o que é a vida a não ser um conjunto de incertezas que podem nos levar a alegria de ser feliz? Doce, mas nem tanto, ela escolheu viver assim. Cultivava o dom de ser leve ainda que fosse na verdade um furacão.

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