Chuva de verão

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Nunca quis ser mais leve como agora, acho que se me distrair talvez eu flutue. O olhar tremeu minha perna, a palavra mexeu com a minha cabeça, o pôr do sol disse que me quer e olha que vou me render. Vou me render à luz do sol, à paz que o dia tem, às crianças rindo alto, ao cabelo no vento, ao bolo de chocolate e o suco de laranja. Me renderei ao mistério que é você. Vou me render pra essas simplicidades da vida que nos fazem sorrir da maneira mais sincera que a gente consegue, da maneira que a gente nem percebe. Dividirei o mundo com quem quiser caminhar comigo, aos que sinceramente gostarem de quem sou apesar dos inúmero defeitos e problemas que carrego comigo. Intensificarei cada momento que viver só pra poder ter histórias pra contar, só pra poder sentir de verdade, porque não vale a pena assistir a vida se você pode fazer parte do filme, escrever a história, construir o castelo. Sabe que esse é segredo pra ser feliz, e eu descobri assim sem querer, em uma dessas reflexões que a gente faz num fim da tarde quando tudo parece desabar. Descobri que ser feliz é tão simples, mas a gente sempre tem uma reclamação ou uma nuvem cinzenta pra complicar. Tem gente que anda por ai com uma tempestade sobre a cabeça e isso faz a rota mudar, a vida girar ao contrário e aí o mundo parece um tremendo pé no saco. O melhor a se fazer é deixar chover, se molhar e se preparar pro sol que vem depois. O melhor é tirar lição do que te acontece todos os dias, perdoar os que te machucarem sem dó nem piedade, entender que são gente como a gente e que um dia aprenderão. O melhor é saber que tudo nessa vida tem seu lado bom, que as vezes a perda é pra te libertar e não pra te matar.  O melhor é saber que se tudo está bem dentro de você, não importa o que aconteça aqui fora, tudo vai se acertar. O sol sempre vem, os dias bons chegam pra todo mundo mesmo depois de meses ruins. É a lei da vida: ou a gente encara de frente e busca ser feliz por nós mesmos ou a vida nos engole com problemas, decepções, reclamações e nos faz tempestades ambulantes. Eu quero é ser chuva de verão, nada de tempestade não. 

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Pequenos de grandes almas

lookazul12Eu ainda era inocente demais pra compreender a vida. Não sabia porque as pessoas choravam mesmo sem joelho ralado. Não sabia porque meus pais tinham que conversar certas coisas longe de mim. Não entendia porque eu não podia ter o que eu queria bem ali, na hora que eu queria e fim. Fui apreciando a vida com o tempo e naturalmente as respostas vieram. A vida não era fácil como parecia e na verdade, tem ficado cada dia mais difícil. Os anos pesaram sobre meus ombros. a cabeça tem ficado cada dia mais cheia e o coração tem aprendido sempre o quanto pode ser resiliente. Estou prestes a completar 18 anos e confesso, gostaria de voltar para os 8, nem que fosse por um dia só. Eu aproveitaria mais a falta de compromissos, a possibilidade de comer toda bobagem que eu quisesse e ainda continuar com a barriga seca, o tempo que eu tinha pra fazer tudo que eu amo, a mente leve, o coração inocente, a distância da maldade, da falsidade e de todos esses sentimentos ruins que encontramos por aí quando o mundo se revela, cresce, engole. Hoje, nesse dia 12 de outubro, eu só desejo que a maturidade não me contamine, que eu saiba ser grande quando precisar mas que saiba ser pequena em tudo que eu fizer. Que eu valorize o sabor de um bom chocolate, que eu sorria só por receber um abraço apertado, que eu fale as verdade sempre me preocupar com os julgamentos, que eu veja nas cores a alegria dos meus dias. Que dentro de mim more sempre a pequena inocente, sincera que queria mais do que qualquer coisa aproveitar a vida, o tempo, as pessoas, os sentimentos, tudo. E desejo não só a mim, mas ao mundo todo. Que a maldade dos nossos corações voe pra bem longe, e que estejamos todos sempre abertos aos sentimentos bons que só uma criança pode transmitir. Se todos nós cultivássemos o gosto bom da infância o mundo não estaria assim perdido, sedento de amor. Sejamos todos adolescentes, adultos, idosos com almas de eternas crianças.

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Em nossa própria companhia

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É surpreendente como podemos sentir-nos sós mesmo cercados de uma multidão. Hoje, em uma conversa, alguém me disse que a amizade não existe, que é uma ilusão. Isso me fez pensar. De início algo dentro de mim instintivamente gritou: Ei, como pode dizer um absurdo como esse? Mas parei por alguns segundos e espera, talvez ela estivesse certa. Talvez a amizade não exista. E não pense que estou sendo trágica, apenas realista. Desconsiderando nossa família, que nasce já com a obrigação de nos amar e estar ao nosso lado (ainda que isso muitas vezes não aconteça), ninguém tem obrigação nenhuma de nos fazer companhia, de aturar nossos problemas, de ouvir nossos chororôs, de nos abraçar e nos dar o carinho que a gente acha que vai nos preencher. A amizade existe pela convivência, pelas coincidências, pelos pontos em comum, pelo interesse (e sempre há um pingo que seja), pela necessidade, pela carência, pelo vazio. A amizade longe é menor, quase não existe. E por mais que a gente jure que nem o tempo e nem a distância mudarão o sentimento, sempre muda. O calo aperta, a rotina sufoca, as conversas de horas se tornam um bom dia e boa noite, no máximo e quando a gente vê quase não tem mais contato, muito menos afinidades e aí acaba, passa, esfria, adormece. Não me entendam mal, não quero parecer do tipo que não confia em ninguém e em nenhuma relação pessoal estabelecida com outro alguém, só venho refletir sobre o fato de que no fundo a gente sempre vai se afastar do outro, a vida naturalmente faz isso por nós e que embora você esteja cercada de pessoas que se dizem seus amigos, eles nem sempre vão fazer por você tudo que espera. Assim como você não fará por eles tudo que eles esperam. Essa é a lei da vida. As pessoas sempre vão nos decepcionar, nem sempre estarão dispostas a nos ouvir e os nossos problemas não serão interessantes na vida delas, aceite os fatos. Precisamos amar as pessoas, claro. Precisamos nos relacionar, claro. Precisamos ajudar o outro, claro. Precisamos estar ao lado das pessoas que são boas para nós, claro. Mas ninguém tem obrigação de estar 24 horas disponível e simpático pra você, afinal todos temos medos, problemas, pendências, atrasos, afazeres e uma vida pra levar em frente. Depois de pensar tanto, creio mesmo que a amizade não existe, é apenas um conforto, uma afinidade que vem, brilha, faz bem, e vai embora, passa. Não por maldade, mas porque os caminhos levam a lugares diferentes e isso acontece de uma forma natural. Os reencontros podem ser como se nada tivesse mudado, ou não, mas a amizade, aquele sentimento de fazer qualquer coisa pelo outro, na maioria das vezes some, e quando se dá conta é possível contar nos dedos quantas pessoas fariam tudo por você. Experimente, conte nos dedos por quantas pessoas você faria qualquer coisa nesse mundo. Seja sincero, sinceridade é imprescindível. Aprendi então que no fim das contas preciso mesmo é confiar em mim, acreditar em mim mesma e me amar mais do que qualquer coisa, porque nessa corrida sou só eu em minha própria companhia. Todo mundo um dia nos deixa, menos nós mesmos.

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Deixe Florescer

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Florescer. Nunca uma palavra definiu também a mim mesma. Se tornou mais do que uma simples palavra que traz apelo poético, suave e doce. Se tornou um lema, uma marca, uma motivação de todo dia. Acordo pensando em florescer, em me desfazer de todas as máscaras, capas, sobras, restos e ser pura, nua e crua, limpa de todo mal que o mundo carrega. Caminho pensando em deixar rastro, marcas, cheiros, sabores, ideias, descobertas, amores. Ando por aí querendo desabrochar por onde passo, espalhando flor que é pro mundo ter mais cor. Florescer é mais que dar flor, é mais que a estação da primavera, é doar ao mundo seu melhor, colocar pra fora a essência mais pura e sincera de si mesmo, é sorrir só pela alegria de ser quem você quiser, sem fingimentos, pesos ou julgamentos. Hoje a primavera chegou, isso explica o céu azul e o sol delicioso que se fez. A partir de hoje as flores nascem e eu quero nascer com elas. É sua chance, não há tempo melhor pra se fazer flor, pra nascer de novo. Te recebo, estação favorita, de braços abertos num abraço quente feito verão, sorrindo a toa porque chegaste. Te recebo apertada, irradiando o sol que mora em mim. Aqui, apesar do solar constante e do tom florido,há chuva vez ou outra. Chuva há quando o coração se parte, quando a queda é grande, quando o dia está cinza e dá aquela vontade de desistir, quando as coisas não são bem como a gente quer. Chuva há quando a saudade aperta, do tempo que tudo era mais fácil, que as amizades eram longas, as conversas mais ainda e os abraços sinceros. Chuva há pra regar, pra molhar, pra trazer mais forte toda flor, pra fazer o sol brilhar mais quente, mais ardente. Descobri que pra florescer é preciso antes chover, tempestadear, raiar, e sentir, sentir tudo, sentir muito. Só assim dá flor, só assim as estações têm seu devido valor. Hoje é primavera, o sol tá quente, o chão coberto pelas flores que caíram enquanto outras novas nascem pra mostrar que todo recomeço existe.

Repeti mais palavras do que eu deveria, repeti mais erros do que eu queria, mas agora é tempo primaveril, tempo do novo.

Fechei os olhos e desejei florescer a cada novo dia, sabendo que se eu chorar há de chover pra regar.

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Na minha própria companhia

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Tarefa difícil ser sozinha, ser por si só, aturar a própria presença e ainda aprender a conviver numa boa com ela. Logo eu, tão teimosa, chata, implicante, impaciente, que quer tudo na hora e não sabe de forma alguma esperar de braço cruzado. Logo eu que choro se gritam comigo, que choro na realidade por qualquer pequena besteira do dia, que choro pra limpar a alma. Logo eu que não me canso de amar, de me jogar, de me estapear e de ainda assim tentar. Logo eu tão complicada me vi em minha própria presença, éramos só eu e eu mesma, não tinha pra onde correr e juro, deu medo. Deu medo de não suportar, de querer me reclusar do mundo, de fugir pra China, de querer me jogar de um penhasco, mas vejam só, tá tudo tão bem. Aprendi que sou minha melhor companhia, que haviam partes de mim que eu ainda não conhecia. Nos apresentamos, nos aceitamos e me sinto mais inteira. E digo à vocês: não há nada melhor que se assumir, que ser honesta e sincera com si mesmo antes de correr pra abraçar o mundo. Os braços são curtos demais quando a gente ainda não sabe nada da gente mesmo. É impossível compreender quem está ao seu redor quando ainda não se compreendeu, quando ainda não aprendeu a lidar com seu próprio eu, quando ainda se tem medo de se conhecer e perceber que haviam coisas sobre você que te eram desconhecidas. Hoje eu sou mais eu, com a minha franja que está me fazendo sorrir todos os dias, com a minha marca de nascença no braço esquerdo, com a minha miopia de 3 graus, com os meus dentes de coelho, com a minha mania de falar alto demais, com os meus escândalos (não sei ser discreta pra nada na vida), com o meu vício no chocolate que um dia ainda vai me deixar obesa, com a minha complicação, com a minha vontade de ser feliz, de realizar meus sonhos e com a coragem de dizer que me amo e que estou disposta a conhecer o mundo ao lado de mim mesma. Quem quiser vir também que me acompanhe e me aceite assim, do jeito que sou. 

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Utopista: Cassino

“Aposte suas fichas. O jogo vai começar”, disse ele. A vida de sua gente resume-se em jogar. As pessoas, assim como peões de tabuleiro, parecem ter movimentos que limitam-se entre as ordens dos dados e os parágrafos das regras. Sim, apesar de serem poucas – e por isso camuflarem sua existência – as regras existem. Substituíram os sentimentos, pois nesse jogo o mais importante é ser o vencedor, mesmo que nunca haja um. Os dados, assim como um último sopro de esperança, permitem aqueles instantes finais de sobrevida, mas, ao mesmo tempo, devoram os jogadores, movimento a movimento. No tabuleiro da vida, a intolerância tem sido um pré-requisito. Parece que não praticá-la é como ser a criança que nunca ouviu falar da brincadeira. O tal do respeito virou trapaça, e quem o utiliza está automaticamente fora. “O que fizeram com meu reino?”, indagou a jovem garota, sem perceber que, na verdade, a muralha do discernimento que há tempos lhe dava uma sensação de segurança nunca existira. Seria hipocrisia minha gritar por uma sociedade melhor? Estaria eu equivocado ao suplicar o fim desse jogo? Quantos outros deverão entrar nessa jogatina até que achemos uma solução? Aguardando vossa resposta.

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À flor da pele: Estranha mania de ter fé na vida

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Você precisa ser forte. Eles falam, viram as costas e te deixam na companhia da solidão, e com a questão: mas como? Onde é que a gente encontra força quando o medo toma conta da gente? De onde a gente tira equilíbrio se o vento é forte?

Penso que essa força de que falam, embora poucos a conheçam profundamente, seja a fé. Aquela fé que move montanhas, a mesma que cura, a mesma que segura, a mesma que mantém firme. Sem fé a gente evapora, feito chuva que já cansou de cair. Sem fé somos ocos, vagando vazios sem nada que nos faça acreditar mesmo sem ver. Sem fé a gente vai desistindo, vai se entregando e aí quando vê, por falta de fé a gente se deixou morrer, pouco a pouco. E é engano seu achar que a fé vem fácil, aliás, ela nem vem, ela tem que ser encontrada. É preciso perdurar, renascer a cada dia e enfrentar os leões que vivem com a gente nessa jaula da vida. É preciso ir lá no fundo do seu coração, fechar os olhos e simplesmente crer, crer sem saber de absolutamente nada. Vencer o medo e deixar que sua capacidade de acreditar seja maior do que ele. É preciso que mesmo sem ter ideia do que acontecerá amanhã, acreditar com toda sua alma e coração que tudo vai ser melhor e que a tempestade (seja lá qual for a sua) vai passar para um arco-íris pintar no céu.

Por isso seja forte, mesmo quando o furacão chegar e tirar tudo do lugar. Dói mesmo, dói muito ver tudo que você arrumou com tanto carinho e que te fazia tão bem ser desmoronado assim, mas não há alma no mundo que não tenha força o suficiente pra reconstruir tudo outra vez. É só preciso ter fé e enfrentar, ir arrumando pouco a pouco até que tudo esteja novamente em seu devido lugar, ou em novos lugares que antes você nem sabia que eram tão lindos. As vezes são os furacões que passam pela nossa vida que nos fazem descobrir que ela pode ser muito melhor. É tudo uma questão daquela tal estranha mania de ter fé na vida.

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