Em nossa própria companhia

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É surpreendente como podemos sentir-nos sós mesmo cercados de uma multidão. Hoje, em uma conversa, alguém me disse que a amizade não existe, que é uma ilusão. Isso me fez pensar. De início algo dentro de mim instintivamente gritou: Ei, como pode dizer um absurdo como esse? Mas parei por alguns segundos e espera, talvez ela estivesse certa. Talvez a amizade não exista. E não pense que estou sendo trágica, apenas realista. Desconsiderando nossa família, que nasce já com a obrigação de nos amar e estar ao nosso lado (ainda que isso muitas vezes não aconteça), ninguém tem obrigação nenhuma de nos fazer companhia, de aturar nossos problemas, de ouvir nossos chororôs, de nos abraçar e nos dar o carinho que a gente acha que vai nos preencher. A amizade existe pela convivência, pelas coincidências, pelos pontos em comum, pelo interesse (e sempre há um pingo que seja), pela necessidade, pela carência, pelo vazio. A amizade longe é menor, quase não existe. E por mais que a gente jure que nem o tempo e nem a distância mudarão o sentimento, sempre muda. O calo aperta, a rotina sufoca, as conversas de horas se tornam um bom dia e boa noite, no máximo e quando a gente vê quase não tem mais contato, muito menos afinidades e aí acaba, passa, esfria, adormece. Não me entendam mal, não quero parecer do tipo que não confia em ninguém e em nenhuma relação pessoal estabelecida com outro alguém, só venho refletir sobre o fato de que no fundo a gente sempre vai se afastar do outro, a vida naturalmente faz isso por nós e que embora você esteja cercada de pessoas que se dizem seus amigos, eles nem sempre vão fazer por você tudo que espera. Assim como você não fará por eles tudo que eles esperam. Essa é a lei da vida. As pessoas sempre vão nos decepcionar, nem sempre estarão dispostas a nos ouvir e os nossos problemas não serão interessantes na vida delas, aceite os fatos. Precisamos amar as pessoas, claro. Precisamos nos relacionar, claro. Precisamos ajudar o outro, claro. Precisamos estar ao lado das pessoas que são boas para nós, claro. Mas ninguém tem obrigação de estar 24 horas disponível e simpático pra você, afinal todos temos medos, problemas, pendências, atrasos, afazeres e uma vida pra levar em frente. Depois de pensar tanto, creio mesmo que a amizade não existe, é apenas um conforto, uma afinidade que vem, brilha, faz bem, e vai embora, passa. Não por maldade, mas porque os caminhos levam a lugares diferentes e isso acontece de uma forma natural. Os reencontros podem ser como se nada tivesse mudado, ou não, mas a amizade, aquele sentimento de fazer qualquer coisa pelo outro, na maioria das vezes some, e quando se dá conta é possível contar nos dedos quantas pessoas fariam tudo por você. Experimente, conte nos dedos por quantas pessoas você faria qualquer coisa nesse mundo. Seja sincero, sinceridade é imprescindível. Aprendi então que no fim das contas preciso mesmo é confiar em mim, acreditar em mim mesma e me amar mais do que qualquer coisa, porque nessa corrida sou só eu em minha própria companhia. Todo mundo um dia nos deixa, menos nós mesmos.

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