Utopista: Despedida

Preciso lhe contar algumas coisas, pois desde sua partida tudo tem mudado por aqui. Sim, prezado amigo… As coisas tornam-se mais leves com a nossa distância. Por tempos me perguntei o que causava tanta separação nesse lugar; “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”, me contou o poeta. Confesso que não botei fé. O que nos amedronta não é o próximo, o diferente, mas sim nós mesmos. Não, eu nunca acreditei na teoria de que “os semelhantes se repelem”. Água e óleo não se misturam, mas isso se trata de uma explicação física. O que vemos aqui é um homem diante de um espelho. Aprendi com o passar dos anos que o contato entre iguais se torna difícil justamente por se conhecerem muito bem. Não precisas de um mapa para encontrar meu Calcanhar de Aquiles já que esse te doeu a vida toda. Apesar disso, o destino mais uma vez nos prega uma peça… se o que nos torna vulneráveis são as semelhanças, mudar-nos-emos! Foi então que compreendi a mensagem: “quebre seu espelho”. Eu o fiz e hoje meu reflexo já é outro. Sempre fui um cara supersticioso, admito. Mas quer saber? Meu sete nunca foi de azar. Sem mais.

guilhermemachado assinatura

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