Utopista: Cassino

“Aposte suas fichas. O jogo vai começar”, disse ele. A vida de sua gente resume-se em jogar. As pessoas, assim como peões de tabuleiro, parecem ter movimentos que limitam-se entre as ordens dos dados e os parágrafos das regras. Sim, apesar de serem poucas – e por isso camuflarem sua existência – as regras existem. Substituíram os sentimentos, pois nesse jogo o mais importante é ser o vencedor, mesmo que nunca haja um. Os dados, assim como um último sopro de esperança, permitem aqueles instantes finais de sobrevida, mas, ao mesmo tempo, devoram os jogadores, movimento a movimento. No tabuleiro da vida, a intolerância tem sido um pré-requisito. Parece que não praticá-la é como ser a criança que nunca ouviu falar da brincadeira. O tal do respeito virou trapaça, e quem o utiliza está automaticamente fora. “O que fizeram com meu reino?”, indagou a jovem garota, sem perceber que, na verdade, a muralha do discernimento que há tempos lhe dava uma sensação de segurança nunca existira. Seria hipocrisia minha gritar por uma sociedade melhor? Estaria eu equivocado ao suplicar o fim desse jogo? Quantos outros deverão entrar nessa jogatina até que achemos uma solução? Aguardando vossa resposta.

guilhermemachado assinatura

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