Palavras soltas ao vento: Nossos casulos

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Andei pensando em um desses momentos de devaneios que todo mundo sempre tem, o que temos sido ultimamente. Cheguei a conclusão que estamos encasulados como lagartas, que esperam seus dias de borboleta. Pensem comigo e verão que talvez eu não esteja ainda tão louca assim. Somos jovens, talvez de corpo, talvez de mente, talvez de alma, talvez de ambos. Jovens querendo libertar-se das correntes, das ordens, das regras, das grades, das travas, de tudo que prende e impede de voar. Sonhamos com novos horizontes, com um céu mais azul, com uma independência que é nossa por direito e acredite, cedo ou tarde será conquistada. Acreditamos que já sabemos o suficiente para cuidar de nós mesmos, e a verdade é que ainda nem aprendemos como bater nossas asas. É aí que o bicho pega, e é aí que pecamos, por acharmos que sabemos de tudo. Estamos todos dentro de casulos, que nos apertam, nos sufocam, nos impedem. Somos apenas meras lagartas, cheias de vontades e sonhos, sem poder ir a lugar algum. Mas afinal de contas, pra quê então passar por essa fase tão difícil? Por que não sermos livres de uma vez? O casulo é como uma proteção pra que toda transformação necessária seja feita. E por mais complicado que seja aceitar, todos nós, querendo ou não sermos livres, precisamos ser transformados. Precisamos passar pela metamorfose, passar pelos apertos, aprender com os tropeços, dar com a cara na porta, ouvir uma porrada de não, para que assim sejamos transformados pela própria vida. Pois é aí que a gente aprende a ser gente, aprende a dar valos as asas. Quando o casulo se rompe é só você contra o mundo, seja lá se a transformação tenha dado certo ou não. Aí é preciso aprender a usar essas coloridas asas, saber qual destino seguir, sem rodar em círculos. E isso é mais difícil do que parece. Eu, apenas lagarta, quero te dizer que almejo ser a borboleta mais linda que o jardim da vida já viu, mas sei o quanto é difícil pra uma simples borboleta se manter viva. Por isso é preciso aproveitar cada etapa, sem apressar nada. Há muito o que precisamos aprender pra realmente viver, pra assumir todas as responsabilidades que ter asas nos traz. Sigamos então, quentes e espremidos em nossos casulos, aprendendo cada vez mais como sermos lindas e boas borboletas. Um dia nossas asas crescem, a transformação se completa e então alçaremos voo. Talvez sigamos para o mesmo sentido, ou não. Só espero que saiba voar com destreza, que nunca te falte audácia para chegar na flor que se quer. E que você se lembre sempre do quão importante pra ti foi um dia ser lagarta. – Escrito por: Rebeca Chaves

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