Fala sério: Futebol, ame-o ou devolva-o!

Mais uma tarde de quinta-feira, 13h20, Globo Esporte no ar. Após a última matéria o jornalista Thiago Leifert termina o programa com uma frase que me fez pensar: senhores, por favor, devolvam o nosso futebol.

Sei que muitos pensarão “Mas, meu Deus! É apenas um esporte”. E é justamente por isso que escrevo. O futebol, que ficou marcado na história pela cultura e pelas alegrias deixadas por onde passa, tem se tornado uma máquina de ganhar dinheiro. Sim, um verdadeiro negócio (MUITO) lucrativo anda visitando os bastidores do esporte mais popular do planeta.

Poderíamos começar falando de quando… Na verdade, nem sei quando isso começou. O que sei é que desde o ano passado essa verdadeira “indústria de grandes faturamentos” está escancarada aos nossos olhos.

Mas o que primeiramente me chamou a atenção foram os gastos com a Copa do Mundo. Por que uma instituição SEM FINS LUCRATIVOS (mas que tem bilhões em caixa), que declara apoiar diversos projetos sociais para a introdução de jovens garotos moradores de favelas e periferias no esporte, obrigaria/permitiria que um país gastasse em torno de R$ 20.000.000.000,00 (se você perdeu a conta: 20 bilhões!) para a realização de um evento esportivo?

Eu sei, parte desse dinheiro será investida (ou deveria ser) em mobilidade pública, transportes, etc. Mas e o resto? Será que o “País do Futebol” estava tão ultrapassado a ponto de necessitar da construção de cinco novos estádios e da revitalização de outros sete?

Pois bem, a temporada se iniciou e o maior torneio da América do Sul também. A Copa Santander Libertadores de 2013 foi um fenômeno de erros de arbitragem, nos levando a conclusão de que a seleção de árbitros da Conmebol foi muito errônea ou de que o buraco é muito maior do que imaginamos…

Com o fim da Libertadores, começa a segunda parte do calendário dos clubes brasileiros: Copa Perdigão do Brasil, Copa Total Sudamericana, Brasileirão Petrobras 2013… O calendário ficou apertado, os salários atrasaram e os jogadores reclamaram. Chega a hora de ser apresentado ao torcedor brasileiro o BOM SENSO FUTEBOL CLUBE, uma organização entre os jogadores de vários times de todas as divisões nacionais “em busca de um futebol melhor”.

Após um campeonato sem disputa e com grande desigualdade técnica e as constantes ameaças de paralisação do movimento Bom Senso F.C., a competição nacional se encerrou com o Cruzeiro levando a taça e os grandes cariocas Fluminense e Vasco caindo para a Série B.

Comecei a refletir sobre o quão patético tinha sido essa temporada em aspectos técnicos. Meu time do coração (Corinthians), por exemplo, mesmo com um elenco Campeão Mundial e com dois grandes reforços – Alexandre Pato e Renato Augusto – apresentou um futebol medíocre, ficando numa posição qualquer do Campeonato Brasileiro e sendo eliminado pelo Grêmio na Copa do Brasil. “Espero que o próximo ano seja melhor”, pensei.

Mal sabia eu que o campeonato ainda não havia acabado. E por sinal, ainda não acabou, pois a cada semana que passa um novo órgão de justiça concede uma liminar para alguém que coloca seu time na Série A. Sim, conseguiram envolver a justiça comum, que já tem tantos casos emblemáticos (ou não) para resolver, nessa baderna toda.

Mas… Espere um pouco. Você ainda acha que exagerei quando disse que o futebol é puramente business, né? Então repare nisso:

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TODAS as competições de clubes que assistimos possuem agora um “name rights”. Teriam essas empresas envolvimento com o resultado do jogo?

Sabe quem perde com isso tudo, única e exclusivamente? Nós, torcedores, loucos e apaixonados por uma equipe representada por jogadores que não honram nem o próprio salário.  Aliás, quem são os torcedores hoje em dia? Sim, porque quem leva sinalizador em estádio e tira a vida de um garoto, não é torcedor.  Quem vai de estádio em estádio, arrumando briga por onde passa, não é torcedor.

Fala sério! É triste saber que os verdadeiros espectadores não comparecem ao lugar destinado a eles por medo. É triste saber que enquanto milhões de jovens esperam uma chance para pisar num estádio, os poucos privilegiados não valorizam isso. É triste saber que atualmente, para os clubes, a receita é mais importante que a glória. É triste saber que nossos governos e órgãos públicos estão se envolvendo nisso tudo. É triste.

Precisamos reinventar nosso futebol imediatamente, pois, a essa altura do campeonato, o pouco que tínhamos os cartolas já venderam.

Texto de: Guilherme Machado

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