Palavras soltas ao vento: Apto. 71

risos

Talvez as histórias que a gente sente vontade de escrever, essas que não precisam de muito tempo pra se criar, só pra arrumar…Talvez essas sejam verídicas, sobre o que ainda não sei sobre mim e até mesmo sobre o que eu sempre soube. E é assim que essa história começa, sem a certeza de ser verídica ou não.

O pequeno espaço cujo seu quarto ocupava era o refúgio. Refúgio de si mesma, refúgio daquilo que era só dela e não deveria ser de mais ninguém, porque não haveria outra pessoa que mereceria carregar aquilo, a não ser ela mesma. O coração as vezes prega peças, nos faz acreditar que tudo está indo bem, quando na verdade estamos prestes a cair do abismo, por isso ela se mantinha sempre em alerta, tinha medo de ser pega de surpresa. Mas uma hora ou outra a vida lhe surpreenderia, nem tudo pode ser mantido da mesma forma para sempre. E o que se trata aqui não é sobre o lado virado do amor, é sobre emoções que a gente não sabe qual é e nem de onde vem. O coração parecia viver dentro de uma caixa de fósforo, sem saber por onde tentar escapar. Ela não vivia, apenas arrastava seus dias tentando encontrar algo que pudesse fazê-la sorrir, não com os lábios mas com as profundezas e superfícies de seu coração. E assim seguiam os dias, sem nada aparentemente diferente ou especial, tudo da mesma forma que o ontem. Mas naquela manhã tudo estava prestes a mudar, de uma maneira ainda mais difícil de se explicar.

O relógio marcava às 15h, e era o horário em que ela normalmente estava fazendo as coisas das que mais gostava, como desenhar casas que nunca seriam construídas ou criando planos para salvar o mundo, que provavelmente nunca seriam colocados em prática. Ela arrastou-se até a porta e viu um homem desconhecido. Sem sentir medo abriu a porta e esperou que ele falasse algo. Nada de muitas palavras, apenas um papel para assinar e algo a ser entregue. Uma grande caixa endereçada à ela. Seu coração saltava tão alto que parecia querer sair de seu corpo, ela nunca sentiu isso antes. Passaram-se cerca de duas horas até que ela tivesse coragem de abrir aquela caixa. Mas ela suspirou fundo e abriu, com os olhos ainda fechados. Seus olhos se abriram e suas pupilas dilataram, como quem encontrou um tesouro. Junto ao presente repleto de mistérios havia um bilhete: “Que você possa sempre se lembrar de que não importa quantas coisas ruins aconteçam em um só dia, sempre haverá o amanhã, e esse só depende de você para ser melhor!”. A princípio pareceu mais uma daquelas frases que te iludem por dois segundos, mas de fato aquilo fez seu coração renascer. Ela nunca havia enxergado aquilo daquela maneira. De repente ela se viu dona de sua própria vida, responsável para dar-lhe um final feliz. Lágrimas desciam seu rosto, como se tudo aquilo que aprisionava seu coração finalmente estivesse saindo de sua alma. Secou as lágrimas, fechou seus olhos e como numa prece, num canto qualquer, ela fechou seus olhos e desejou fazer do sorriso uma rotina, independente do que acontecesse. E então agradeceu aquele que ela nunca soube quem era, que por uma luz divina mudou seu destino.

E sobre o que estava dentro da caixa, bom, o mais importante mesmo era o que estava escrito fora dela: “Eis aqui dentro a única pessoa capaz de mudar sua história!” E lá estava, um imenso espelho, que lhe pegava da cabeça aos pés. Que a refletia em carne e osso, em alma e coração. Mais que um objeto material usado a favor da vaidade, mas a sua salvação.  – Escrito por: Rebeca Chaves

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