Palavras soltas ao vento: Cá estamos. Eu, você e a chaleira.

Tarde de uma quarta-feira de folga. Gotas de chuva escorriam pela janela, talvez tentando nos avisar sobre a solidão que pairava sobre aquela casa. Eu levantei vestindo sua blusa e preparei o chá que você sempre gostou. Você se levantou em seguida como de costume e se juntou a nós. Eu, você e a chaleira que fazia um barulho irritante que você nunca se importou. Nos sentamos juntos, em silêncio, apenas sentados sobre o balcão da cozinha esperando o chá ficar pronto. Aquilo me matava por dentro. Nada me matava mais do que o seu silêncio. Preferia palavras duras do que o silêncio. As palavras pelo menos traziam um pouco de você, já o silêncio nada trazia. A não ser o peso da nossa solidão. Eu acordei naquela manhã desejando que as coisas voltassem ao seu devido lugar, mas não. Estava tudo onde deixamos na noite passada. E eu odiava toda aquela confusão. Foi então naquela quarta-feira de manhã, em meio aquele barulho irritante da chaleira que de repente você decidiu segurar minha mão. Me puxou pra perto e me pediu que olhasse nos seus olhos. Cada centímetro do meu corpo sentiu o sangue ferver. Todas as borboletas do meu estômago ressuscitaram com um sopro de vida que sua mão me trouxe. Eu te olhei bem fundo nos olhos. Tinha até me esquecido de como eles eram bonitos, irradiantes. Pela primeira vez notei que havia um caminho a ser percorrido por aqueles olhos castanhos escuros. Você disse baixinho que as coisas não podiam continuar como estavam e eu concordei sem dizer nada. Me faltavam palavras. E então eu ouvi você dizer que me amava, que me queria pro resto da sua vida e que faria de tudo pra consertar cada pedaço do nosso amor que nós mesmos destruímos sem perceber. Quando tantas coisas foram mais importantes que o nosso sentimento puro e verdadeiro. Quando a gente perdeu o foco, perdeu o companheirismo, quando tantas coisas passavam por cima de nós. Você me prometeu que nada seria mais importante que nós. Que nada mais nos impediria de seguirmos juntos, em frente, olhando pro mesmo horizonte. E eu senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto como as gotas daquela chuva escorriam pela janela. Eu ainda não dizia nada, apenas soluçava. Passei tanto tempo sentada, vendo nosso amor escorrer pelo ralo. Cheguei a morrer de medo ao perceber que você escapava pelos meus dedos. E de repente, em uma manhã que parecia ser mais uma manhã fria de solidão você decide nos salvar.  E aquilo me trouxe a vida outra vez. Aquilo me trouxe um sorriso sincero de quem encontrou o amor pro resto da vida.  A chaleira chiou alto. Enxuguei as lágrimas, te abracei forte, fechei os olhos e sussurrei: o chá ficou pronto! – Escrito por: Rebeca Chaves.

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